"Devemos encarar com tolerância toda loucura, fracasso e vício dos outros, sabendo que encaramos apenas nossas próprias loucuras, fracassos e vícios"



segunda-feira, 31 de maio de 2010

Tasso Fragoso

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Em homenagem a minha querida rua e ao carnaval que por ela passa perpendicularmente:

Aqui na província
Debaixo do sovaco
Sinto o tamborim
Lembro o cavaco
Ecoa o som da badalação
Na paisagem pra retrato
Busco o prazer em vão
O que aqui e simples fato

Verde avermelhado
Brisa com cheiro de sacanagem
O suave tá suado
Bossa da libertinagem

Carnaval inacabado
O ócio contínuo
O batuque relembrado
É o nosso hino
De inconfundível gingado
Jeito de menino

De menino levado
O terror da menininha
Sempre o mais venerado
Na pelada da pracinha


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domingo, 30 de maio de 2010

Os vinte de vez

para L

Você quis deixar
Sua bolsa
E foi dançar
Numa boa

Com o seu vestido a flutuar
Pelo constante rodar
E eu parado no balcão do bar

Quando está prestes a voltar
Me ajeito, entorno o side car
Devoro-te com o meu olhar

Mas diz está tarde
Já me cansei
Já são quase três...
Sozinho fiquei

Você quis deixar
Sua bolsa
E foi dançar
Numa boa

Quando fico aqui a relembrar
Figurante de um filme noir
Em meio a fumaça do bar
Abro meu maço
Fumo um cigarro
Dois, quatro ou seis
Os vinte de vez



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Vela Suada

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Uma, duas... Soa às três
Vela suada não vá desgastar
Se o pavio acaba as seis
Já está pra clarear
E se for o sol chinês
Que fiquemos ao luar
Tanto faz qual é o mês
Tanto faz. “laiá, laiá”

Puma nua, em tua vez
Mesmo rasgado não fui costurar
O fio acabara as seis
Já estava a clarear
Não por falta de avidez
O sino que não quis soar
Hoje é março, 16
E sem mais “laiá, laiá”


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