"Devemos encarar com tolerância toda loucura, fracasso e vício dos outros, sabendo que encaramos apenas nossas próprias loucuras, fracassos e vícios"
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Vergonha
A vida é curta
O mundo explodirá
Enquanto você não surta
O fim continua a se aproximar
Larga essa luta
Se não tem pelo que lutar
Toda a labuta
Nada vale sem se dar
Então chupa da fruta
Respira da mata
E se banha do mar
Permita-me foder
Permita-se gozar
E se lhe insulta
O meu modo de falar
Saiba que a culpa
Reside em seu olhar
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
E além disso, Sabiá?
Tentam me oferecer tudo o que há de bom
Mas tudo é tão pouquinho
Como vou crer no som do Tom
Se quando a tardinha cai
Um mafioso é que tá no barquinho
Como vou compor para o tal sabiá
Ou qualquer outro passarinho
Se num esquecido patamar
Se decompõe um menininho
Juro que não quero incomodar os que comandam a bossa nossa
Dando seu teco, fumando um cigarrinho
Só queria lembrar que o cheiro da fossa
Não chega perto do vosso linho
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Ariando
Às sextas vai ao bar
Ou mais uma vez à Pista 3
Que diferença faz?
Que diferença fez?
Agora é o melhor da noite passada
Um ovo estalado
A panela melada
O café passado
A vida embaçada
E a liberdade de dois travesseiros
Minha pouca idade
E o dia inteiro
Pra ver um bom filme
Só eu e meu cheiro
Às sextas vai ao bar
Ou mais uma vez à Pista 3
Que diferença faz?
Que diferença fez?
Sinto o prazer de uma manhã nublada
De redeitar na cama bagunçada
Não sabe o que é isso
Não entende nada
Da liberdade de dois travesseiros
Da pouca idade
E do dia inteiro
Pra ver um bom filme
Só eu e meu cheiro
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Arquipélago
Ai, se vier outra vez
Com esse par de três!
Não serás de ninguém.
Pois só sou tão só teu
Quando sei o que é meu
E de mais, mais ninguém
O dito popular que esqueceu
Já dizia:
É melhor um
Que nem um dos dois
E se não gostas que seja tão teu
Me jogo no mar
E me afogo depois...
Ou não
Quiçá virá Iemanjá
Pra me alertar
Das belezas da vida
Ou não
Está vendo as cagarrás que emergem do mar?
São o despertar
De minh'alma inibida
Com esse par de três!
Não serás de ninguém.
Pois só sou tão só teu
Quando sei o que é meu
E de mais, mais ninguém
O dito popular que esqueceu
Já dizia:
É melhor um
Que nem um dos dois
E se não gostas que seja tão teu
Me jogo no mar
E me afogo depois...
Ou não
Quiçá virá Iemanjá
Pra me alertar
Das belezas da vida
Ou não
Está vendo as cagarrás que emergem do mar?
São o despertar
De minh'alma inibida
domingo, 16 de outubro de 2011
Amizade
A noite é quando
Eu me faço e refaço
No espaço
No esboço indulgente
A noite é quando
Eu desfaço o meu disfarce
Sem reparo
Me revelo indigente
A noite fumo meu cigarro
Sinto a minha dor pungente
A noite é
Só de quem sente.
Eu me faço e refaço
No espaço
No esboço indulgente
A noite é quando
Eu desfaço o meu disfarce
Sem reparo
Me revelo indigente
A noite fumo meu cigarro
Sinto a minha dor pungente
A noite é
Só de quem sente.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
O chão enlameado
O samba dos pés
exorciza o medo
Da cinza
Do quedo
Do fim enredo
Ficam os anéis
Vão-se os dedos
Tão cedo
Que vida boa
A vida é mesmo um carnaval
Na quarta restou
O chão enlameado
Enfeites, confetes
O corpo desalmado
Sem feitos, nem fetos
O choro do amado
No leito, discreto
E o fedor da cerveja
Que anuncia a dor
Que denuncia a dor
Até o próximo tambor
exorciza o medo
Da cinza
Do quedo
Do fim enredo
Ficam os anéis
Vão-se os dedos
Tão cedo
Que vida boa
A vida é mesmo um carnaval
Na quarta restou
O chão enlameado
Enfeites, confetes
O corpo desalmado
Sem feitos, nem fetos
O choro do amado
No leito, discreto
E o fedor da cerveja
Que anuncia a dor
Que denuncia a dor
Até o próximo tambor
Barquinho de papel
Ela não vai
Mas pediu que a trouxesse um barquinho de lembrança
Não faço ideia de como posso preenche-lo
Afinal, é feito de papel
Mas sua dimensão sou eu quem dita
Como poderia alcançar as expectativas dela
Que almeja ser infinita?
Talvez seja
Talvez não
Da nossa dialética
É só mais uma questão
Mas se infinita fosse não pediria lembrança
Estaria lá!
A roubar olhares, procurando seu lugar,
A imensurável menina
E se sentaria em meio aos rostos finitos e sem portância
Até acha-lo em minha retina
É
Começo a achar que ela é como o barquinho
Sua dimensão sou eu quem dita
Ainda bem
Pois amanhã a espero pequena, sutil, de carne osso.
Tão bonita...
Mas pediu que a trouxesse um barquinho de lembrança
Não faço ideia de como posso preenche-lo
Afinal, é feito de papel
Mas sua dimensão sou eu quem dita
Como poderia alcançar as expectativas dela
Que almeja ser infinita?
Talvez seja
Talvez não
Da nossa dialética
É só mais uma questão
Mas se infinita fosse não pediria lembrança
Estaria lá!
A roubar olhares, procurando seu lugar,
A imensurável menina
E se sentaria em meio aos rostos finitos e sem portância
Até acha-lo em minha retina
É
Começo a achar que ela é como o barquinho
Sua dimensão sou eu quem dita
Ainda bem
Pois amanhã a espero pequena, sutil, de carne osso.
Tão bonita...
domingo, 10 de abril de 2011
Amanhecendo
.
Não me ensinaram a gritar
E o que tá errado ninguém me explica
Me deixaram quadrado tentando tirar som de cuíca
Me deixaram manso jurando que o trabalho dignifica
Mas eu sei que tem alguma coisa além desse cardume estúpido de automóveis
Alguma coisa além da vieira souto com seus imóveis
Não me ensinaram a gritar
E o que tá errado ninguém me explica
Me deixaram quadrado tentando tirar som de cuíca
Me deixaram manso jurando que o trabalho dignifica
Mas eu sei que tem alguma coisa além desse cardume estúpido de automóveis
Alguma coisa além da vieira souto com seus imóveis
terça-feira, 5 de abril de 2011
A cruz olha para a cidade
Mas a cidade não olha para a cruz
Porque a cruz é muito alta
Porque a cruz não faz mais falta
Porque Jesus é astronauta
Porque os cus estão em alta
Porque se pus ninguém recalca
E blues não se escreve em pauta
A vida não se resolve no templo
(A vida é no improviso do tempo
E vinda de todo o não bento
Não está na imagem sem movimento
Ela tá no vento, ela tá no vento)
Eu não vejo uma cruz
Eu vejo um mais
Eu vejo mais que a cruz
Mas a cidade não olha para a cruz
Porque a cruz é muito alta
Porque a cruz não faz mais falta
Porque Jesus é astronauta
Porque os cus estão em alta
Porque se pus ninguém recalca
E blues não se escreve em pauta
A vida não se resolve no templo
(A vida é no improviso do tempo
E vinda de todo o não bento
Não está na imagem sem movimento
Ela tá no vento, ela tá no vento)
Eu não vejo uma cruz
Eu vejo um mais
Eu vejo mais que a cruz
quinta-feira, 24 de março de 2011
Recanto
O que tem dentro do piano
Não sai
O que tem debaixo do pano
Não sai
E o que faz mais de um ano
Atrás
Não faz parte
Dos seus novos planos
Não faz
Mestre, o que tens
Aí
Nos teus bens
Senti
Que o que vens
De ti
É muito mais
Que isso aqui
Falta um pouco de erro
O gosto por dinheiro
Por mau e por mais
Falta o desespero
Com podre o cheiro
O sadismo assaz
Não sai
O que tem debaixo do pano
Não sai
E o que faz mais de um ano
Atrás
Não faz parte
Dos seus novos planos
Não faz
Mestre, o que tens
Aí
Nos teus bens
Senti
Que o que vens
De ti
É muito mais
Que isso aqui
Falta um pouco de erro
O gosto por dinheiro
Por mau e por mais
Falta o desespero
Com podre o cheiro
O sadismo assaz
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Sorria, você está na Barra.
Ah, cansei!
Eu vou pra Barra ver o meu amor
E sorrirei ao ver o outdoor
Esse lado já me dá pavor.
179, por favor
Venha logo, por favor
E abre a porta, ô do motor
Que eu quero ver o meu amor
Cansei, zona sul, do papo de madame
Cansei de ser cool, cult e coisa e tal
Quero gargalhar do filme mais infame
E namorar na praça do downtown
Cansei, zona sul, desse eterno reclame
Da vida ipanema, leblon social
Quero ingressar no futuro enxame
Das baratas que vivem pelo seu quintal
Eu vou pra Barra ver o meu amor
E sorrirei ao ver o outdoor
Esse lado já me dá pavor.
179, por favor
Venha logo, por favor
E abre a porta, ô do motor
Que eu quero ver o meu amor
Cansei, zona sul, do papo de madame
Cansei de ser cool, cult e coisa e tal
Quero gargalhar do filme mais infame
E namorar na praça do downtown
Cansei, zona sul, desse eterno reclame
Da vida ipanema, leblon social
Quero ingressar no futuro enxame
Das baratas que vivem pelo seu quintal
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Tudo isso tanto faz
Sabe todo essa aflição?
Do que é certo do que é bom?
Vai cessando com o suave
Com o seu suave tom
Sabe toda essa aflição?
A viagem no claybon?
Vai cessando com a carne
Com o seu chamego bom
(Sabe) Se sou macaco ou se transcendo a fauna?
(Sabe) Se aqui é paraíso ou a eterna sauna?
(Sabe) Se sou maquina orgânica ou possuo alma?
Foda-se!
Ela vem e me acalma
Questões metafísicas e as infra-estruturais
Papos cabeças, etc. e tais
Tudo isso tanto faz!
Tudo isso tanto faz!
Tudo isso tanto faz quando tenho ela
Do que é certo do que é bom?
Vai cessando com o suave
Com o seu suave tom
Sabe toda essa aflição?
A viagem no claybon?
Vai cessando com a carne
Com o seu chamego bom
(Sabe) Se sou macaco ou se transcendo a fauna?
(Sabe) Se aqui é paraíso ou a eterna sauna?
(Sabe) Se sou maquina orgânica ou possuo alma?
Foda-se!
Ela vem e me acalma
Questões metafísicas e as infra-estruturais
Papos cabeças, etc. e tais
Tudo isso tanto faz!
Tudo isso tanto faz!
Tudo isso tanto faz quando tenho ela
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