"Devemos encarar com tolerância toda loucura, fracasso e vício dos outros, sabendo que encaramos apenas nossas próprias loucuras, fracassos e vícios"



segunda-feira, 4 de julho de 2011

O chão enlameado

O samba dos pés
exorciza o medo
Da cinza
Do quedo
Do fim enredo

Ficam os anéis
Vão-se os dedos
Tão cedo

Que vida boa
A vida é mesmo um carnaval

Na quarta restou
O chão enlameado
Enfeites, confetes
O corpo desalmado
Sem feitos, nem fetos
O choro do amado
No leito, discreto

E o fedor da cerveja
Que anuncia a dor
Que denuncia a dor
Até o próximo tambor

Barquinho de papel

Ela não vai
Mas pediu que a trouxesse um barquinho de lembrança
Não faço ideia de como posso preenche-lo
Afinal, é feito de papel
Mas sua dimensão sou eu quem dita
Como poderia alcançar as expectativas dela
Que almeja ser infinita?
Talvez seja
Talvez não
Da nossa dialética
É só mais uma questão
Mas se infinita fosse não pediria lembrança
Estaria lá!
A roubar olhares, procurando seu lugar,
A imensurável menina
E se sentaria em meio aos rostos finitos e sem portância
Até acha-lo em minha retina
É
Começo a achar que ela é como o barquinho
Sua dimensão sou eu quem dita
Ainda bem
Pois amanhã a espero pequena, sutil, de carne osso.
Tão bonita...