"Devemos encarar com tolerância toda loucura, fracasso e vício dos outros, sabendo que encaramos apenas nossas próprias loucuras, fracassos e vícios"



quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Aulas Teóricas

Comte, Kant, Marx?
Conte, cante mais!

Conjugal, o verbo

Complete:
Eu te uso
Tu me usas
Ele te usa
Nós ________

sábado, 13 de novembro de 2010

Quando a maçã se apaga

Quando a maçã se apaga
Quando a vida amarga
Quando sinto a carga
Quando o sítio alaga
Quando sigo a saga
Quando o inimigo afaga
Quando a divida é paga
Quando a morte se traga
E a bondade se draga
Quando se faz tudo e… Nada
Aí, nesse exato momento, que penso em você

domingo, 7 de novembro de 2010

Sem tônica

Sinto muito, apesar
D'eu não ser só mais um
Já tem dono esse lugar
Mesmo que seja de nenhum

Espero
A próxima onda
A próxima esquina

Na próxima ronda
Por minha menina
Sei que vou achar
Nem que seja a mim
Pelo menos um fim
Sei que sim

Só não sei se é tão bom
Minha hedônica
Solidão
Bon vivant, com tudo do bom:
Super sônica
Ilusão
Sigo no improviso, então
Não saio, mesmo sem tônica,
Do tom

domingo, 13 de junho de 2010

Uma das memória de Boston:

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Na volta do mergulho no atlântico norte


Peguei o Train da Revere Beach para o Governement Center: a viagem mais triste que já tive (apesar de terem sido não mais que 15 minutos). Talvez pelo fato de estar me sentindo como um daqueles soldados que foi para guerra e quando voltou para casa a mulher estava com outro por ter achado que nunca retornaria vivo. No meu caso, não retornaria viva a personalidade que a agradava, aquela de macho alfa quando em minha pequena província. Esta foi extinta quando deixei de ser o bonitão para ser apenas o cucaracha entre os colegas de Boston .

Mal ou bem comparando, fica a critério do leitor, sinto-me como um elefante na Amazônia, perdi toda a preponderância que tinha em meu habitat natural e passei a ser motivo de piada para os macacos, onças, tamanduás, cobras e vários animais muito mais excêntricos do que eu, mas que se consideram normais por estarem adaptados a esse ambiente fechado, em que se vive debaixo da postas das árvores, só tendo uma ideia esboçada do céu ou de um campo aberto. Quando tento explicar para eles a beleza do céu, o incomodo de viver exprimido ou a falta de uma visão geral, acham que eu sou louco. Eu os compreendo, eles não conseguiriam se adaptar à claridade do campo aberto, ao difícil acesso aos alimentos, a falta de proteção do sol, resumindo: à vida real dentro da minha concepção de elefante.

Voltemos a viagem, pois já vou perdendo o fio da meada ou a linha do trem… Sim, aquela que foi triste. Mas por quê, afinal, foi triste? Não, não foi somente pelo o inevitável ato de pensar na amada, recente falecida amante e repente, de um novo amo, servente. Foi por só ter pessoas tristes ou no mínimo entediadas e com aquela cara de metrô! Numa américa de alicerces estrangeiros, vi nesse metrô meia dúzia de latinos, três nipônicas, uma mãe com duas filhas entre 15 e 17 anos que me pareceram ser indianas e uns tantos afro-descendentes. Ninguém arriscava um sorriso naquele ambiente onde a depressão era a Lei, a não ser ele, que não chegou a fazer meu dia, mas ao menos o coloriu. Usava um boné laranja dos yankees, enorme para o tamanho da sua sensível cabecinha e um protótipo de roupa de gente grande. Era uma garotinho negro que gargalhava feliz da vida, constrangendo todos aqueles infelizes, a não ser a mãe que se deliciava acompanhando o garoto. Senti inveja a como muito tempo não sentia, ele ria de graça, provavelmente porque ainda não tinha sido afetado por todas as convenções, invenções, informações e canhões criados pela doente mente humana. Imune aos "ões" e propício ao "hahaha", somos todos por essência, mas sofremos perturbações no caminho. Como havia dito, a criança tinha colorido o meu dia e isso não aliviou a tristeza daquele intervalo entre as duas estações, muito pelo contrário, pois o colorido inicialmente num tom laranja do seu boné comicamente desproporcional foi se transformando em tons de blues e roxo escuro. Isso porque notei o quão tinha sido afetado pelos "ões" humanos, aliás, o quão todos ali também tinham sido. Era como se tivessem, tivéssemos tomado uma overdose de um ácido e entrado num estado embasbacado vegetal deprimido.

No meu caso, a invenção que mais me fudeu foi o amor (Por quê a gente não pode só fuder, seguindo o extinto de procriação como qualquer outra espécie?) ou a porra do computador com internet, por onde veio a informação que ela estava com outro. Além disso, não estaria me sentindo tão mal se não fosse pela convenção de traição, de ser passado para trás, de infidelidade ou de qualquer coisa do tipo. Quero que se foda as convenções(todos os outros "ões" com ela também), pois não consigo crer que ela fora capaz de cometer tais convencionados males.

Enfim, torço para que a tristeza profunda seja apenas a viagem, o intermediário entre as estações e não o meu destino.

Madame Maia II

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Madame, eu juro:
Essa é a última vez
Que venho a te perturbar
Por meio de uma chata canção de amor

Sou teu servo, me disponho
Não me oponho e se apanho
Do teu tapa não me banho
E com pirraça me assanho
Pra destacar-me em teu rebanho
Mesmo assim eu não te ganho

Vai, faça que quiser fazer
Fala o que for pra ser
Aqui quem manda é você!

Perdoe-me o modo de dizer

Madame, eu juro:
Essa é a última vez


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Editar, desfazer

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Queria desfazer tudo o que já fiz que tenha me levado até aqui:
UNDO, UNDO, UNDO!
Será esse o fundo do poço ou o poço não tem fundo ?


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domingo, 6 de junho de 2010

Manguinhos

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Sobre algas, cadelas e velhas:

O odor desse bolo de alga
Vinda do mar e tostada pelo sol
Lembra o cheiro da minha cachorra
Quando vinha do mar e era tostada pelo sol

Apesar do pelo russo causado pela mistura de sal e sol
E a aparência rústica de velha de praia
Ela se portava como uma jovem, metida e despreocupada

Era como uma coroa de Copacabana
Aliás, essas sabem viver
Conciliam sabedoria com um jeito jovial

Muitos dizem que saber demais proporciona sofrimento
Dito de outra forma: “ignorância é uma benção”
Mas sabe mesmo quem não perde tempo sofrendo
As coroas de copa já devem ter perdido muito
E hoje no ápice de sua experiência de vida
Vêem que devem aproveitar os últimos instantes desse mundo bom

Para isso imitam a natureza
Imitam a alga
As velhas vêm do mar, estendem a canga e são tostadas pelo sol

Elas estão em harmonia com a vida.


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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Tasso Fragoso

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Em homenagem a minha querida rua e ao carnaval que por ela passa perpendicularmente:

Aqui na província
Debaixo do sovaco
Sinto o tamborim
Lembro o cavaco
Ecoa o som da badalação
Na paisagem pra retrato
Busco o prazer em vão
O que aqui e simples fato

Verde avermelhado
Brisa com cheiro de sacanagem
O suave tá suado
Bossa da libertinagem

Carnaval inacabado
O ócio contínuo
O batuque relembrado
É o nosso hino
De inconfundível gingado
Jeito de menino

De menino levado
O terror da menininha
Sempre o mais venerado
Na pelada da pracinha


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domingo, 30 de maio de 2010

Os vinte de vez

para L

Você quis deixar
Sua bolsa
E foi dançar
Numa boa

Com o seu vestido a flutuar
Pelo constante rodar
E eu parado no balcão do bar

Quando está prestes a voltar
Me ajeito, entorno o side car
Devoro-te com o meu olhar

Mas diz está tarde
Já me cansei
Já são quase três...
Sozinho fiquei

Você quis deixar
Sua bolsa
E foi dançar
Numa boa

Quando fico aqui a relembrar
Figurante de um filme noir
Em meio a fumaça do bar
Abro meu maço
Fumo um cigarro
Dois, quatro ou seis
Os vinte de vez



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Vela Suada

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Uma, duas... Soa às três
Vela suada não vá desgastar
Se o pavio acaba as seis
Já está pra clarear
E se for o sol chinês
Que fiquemos ao luar
Tanto faz qual é o mês
Tanto faz. “laiá, laiá”

Puma nua, em tua vez
Mesmo rasgado não fui costurar
O fio acabara as seis
Já estava a clarear
Não por falta de avidez
O sino que não quis soar
Hoje é março, 16
E sem mais “laiá, laiá”


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