.
A coxinha está lá
Esperando na vitrine da padaria
A cada segundo que passa
Ela fica menos fresca
Menos quentinha
E pedaços antes crocantes
Vão ficando massudos e gosmentos
Quando finalmente é liberta de sua prisão
Pelo julgamento póstumo
De um terceiro que só considera as aparências
É uma maçaroca de gordura, gelada e intragável
Já morta em sua essência
Só tendo a superfície dourada como testemunho de sua
Outrora, jovem gostosura
É coberta de ketchup cor de sangue e mascada com raiva
Raiva de quem não tem mais o que comer
A não ser ela, uma velha coxinha
Nenhum comentário:
Postar um comentário