"Devemos encarar com tolerância toda loucura, fracasso e vício dos outros, sabendo que encaramos apenas nossas próprias loucuras, fracassos e vícios"



terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Meu lugar de fala
É o silêncio

Metalinguística


A principal agonia
É não saber a origem do que está agoniando
Ansiedade metalinguística

Metalinguística
Palavra escrota
Minimamente erudita
Código empacotado
Dirigido aos que entendem algo
De funções de linguagem

É pra estes que quero falar?
E se fosse?
Nem sou refinado o suficiente
Pra sustentar essa pompa

Vivo nesse limbo
Entre minha potência
E a minha capacidade prática
Será que a minha potência
É a que assumo ter?
Assumir uma potência seria a origem da frustração?
Mas se não projeto minha capacidade
O que move meu fazer?

O que devo fazer?
Pra quem devo fazer?
O que quero fazer?
Nossa, que agonia.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Vai, Diguinho


Na sua casa que aprendi comer damasco
Enquanto enchia o bucho
Você assistia o vasco
Chupava toda a água da garrafa plástica
Até que a vista cansava
E eu dormia no embalo

Mesmo ocupando seu colchão
Você não se importava
E achava engraçado
Porque não existe etiqueta que rotula
Amizade que atura
E acha certo no errado

Ao despertar vinha a filosofia
Rascunhávamos a vida
Sem o peso do passado
Exalando toda megalomania
Que a idade permitia
De um jovem comungado

Mas o tempo sempre vem como um tufão
Não tem uma data certa
Nem um encontro marcado
Parece que tem dado certo ou não
O importante é não ter pressa
Aprende mais, o esforçado

Vai, Diguinho
Voa

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019


Um dia, a gatinha pipa
Apareceu no jardim
Manhosa, se esfregava nas canelas
Até ganhar cafuné
Olhava no olho e miava
Demandando uma porção diária
De comida ou carinho

Um dia, a gatinha pipa
Ganhou nosso coração
Reinava sob a mesa
E sobre nossos pés
Acariciávamos com gosto
Garantindo um montão diário
De comida e carinho

Um dia, a gatinha pipa
Atacou a mão da Luana
Mordeu e perfurou até sangra
Depois a mão do Matheus
E passamos a ter medo dela

Se manter jovem cansa mais
Do que ser um velho cansado

.

Não vou mais me apoiar
Na juventude
No egocentrismo
E nas certezas para escrever
Vou escrever em que queda livre

.

Não tenho nada pra falar


Não
Tenho
Nada
Pra
Falar