"Devemos encarar com tolerância toda loucura, fracasso e vício dos outros, sabendo que encaramos apenas nossas próprias loucuras, fracassos e vícios"



quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Coisas bobas de ouvir

"Seu caso não é de ver pra crer"

Porque não dizer o que tá na cara?
Tá na cara, no cristalino e na pupila
Não sei se é você que não se repara
Não repara ou o seu desejo que oscila?
Quero apenas ser, sobre a Guanabara
O aviãozinho no céu de vanilla
Que te faz querer eu ser sua casa
E repousar o mel na minha papila

Cê comigo vara
No meu pé amarra
Até terça é farra
Ou quando a gente quiser
Eu sou sua tara
Eu sou sua cara
E porque não fala
Que é minha mulher?


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Stroked

Menina indie
Serei teu rock star
Ingênua, naive
Pelo menos no olhar
Parece que nunca esteve em crise
Apesar de sempre estar
Acabou de sair dos 15
E os sweet sixteen já estão a mal tratar
Merece todas as rimas easy
Inclusive as com “ar”
Ou sem

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Intervalos da vida, que é bela

Não existe happy end.

Existe o gozo e a espera
E nenhum dos dois tem tempo definido
Por isso eternizo aquela tarde no Leme
E encurto meus cigarros
Torno o toque, o trago, a vista
Sempre o primeiro
Pra que não haja fin
(Anúncio de toda espera)
Somente o episódio seguinte
(Felicidade de quem erra)

Sétimo dia


Eu sou chato pros que gosto
Ideal pra quem desgosto
Sem ter pra onde ir
Me escondo atrás do ócio
E passo pra realidade dentre o lençol e o colchão
No meu suicídio momentâneo
A meio metro do chão
Fico lá mofando
Rezando para apodrecer
Mas apesar de todas a viagens
Permaneço em meu ser
Quando volto para os 2/3 mais desgostosos da vida
Levanto-me e escarro o produto da noite quase esquecida
Bebo toda a água da geladeira
Na esperança que aquela gosma saia por inteira
Ela não sai.
Eu?
Volto a dormir.

domingo, 27 de maio de 2012

Entre Joseph Bloch e Tenreiro Aranha


Eram por volta das 3
Íamos descendo a Siqueira Campos
Quando
Depois de afirmar com convicção que meu amigo era um famoso jogador de vôlei
Aquele bêbado se aproximou de mim
O suficiente para me incomodar com o seu bafo quente
E ordenou que apertasse sua mão
Em seguida me mandou arregalar os olhos
E disse:
“Você é a febre do ato
Porque eu sou a febre da beija-flor”

terça-feira, 8 de maio de 2012

Futuras estações


Na Lagoa tem a obra do metrô
E na praia tem a obra do metrô
Seu olhar tem a obra do metrô
E no céu tem a obra do metrô
Quando não um empreendimento da Gafisa
Loteando um pouquinho mais de vida

Na Lagoa tem a obra do metrô
E na praça tem a obra do metrô
E no mar tem a obra do metrô
E no ar tem a obra do metrô
Deixando a via nasal obstruída
Me restando só as frestas da avenida

Na Lagoa tem a obra do metrô
Toda cor, a cidade abdicou
E a praia é só vista pro doutor
Tudo é feito para seu automotor
E o que o amor me ensinou?
O que eu faço com isso?

domingo, 22 de abril de 2012

O tempo não dá trégua

.
A coxinha está lá
Esperando na vitrine da padaria
A cada segundo que passa
Ela fica menos fresca
Menos quentinha
E pedaços antes crocantes
Vão ficando massudos e gosmentos

Quando finalmente é liberta de sua prisão
Pelo julgamento póstumo
De um terceiro que só considera as aparências
É uma maçaroca de gordura, gelada e intragável

Já morta em sua essência
Só tendo a superfície dourada como testemunho de sua
Outrora, jovem gostosura
É coberta de ketchup cor de sangue e mascada com raiva
Raiva de quem não tem mais o que comer
A não ser ela, uma velha coxinha

terça-feira, 10 de abril de 2012

Pedra Preciosa


A canção vem bem debaixo dos meus pés
Da testemunha dos cruzeiros, cruzados e réis
Dos sofredores transeuntes, sempre todos em pés
Presente na praia, mas presente na raia
Se em copa valoriza todas de mini saia
Faz suar os do batente antes que a noite caia

Ô pedrinha portuguesa que me viu crescer
De grotesca beleza e ancião saber
Vou pisar no preto, pisar no branco
Pisar você

Ó que tristeza, pedrinha discreta
Podem te concretar
Assim a poesia concreta se veta
Só concreto sobra
E todo mosaico vira só uma reta
Resta o linear
De uma história curvada


A canção vem bem debaixo dos meus pés
Da guimba dos malandros, também dos manés
De submissos de terno a carnavais de infiéis
A inspiradora de origem lusitana
Também pegou bem na terra da cana
Pros mendigos, a cama
Pros turistas, Copacabana

Ô pedrinha portuguesa que me viu crescer
De grotesca beleza e ancião saber
Vou pisar no preto, pisar no branco
Pisar você

quinta-feira, 15 de março de 2012

Sobre paliativos


A flanar por aí
Logo me percebi
Tão escasso de paz
Se festejo ali
Fedo a fumo aqui
Nada me satisfaz

Talvez por isso todo dia
Meu coração ainda anseia
Por uma ponta de amor
Mas como qualquer porcaria
Depois sofro com a azia
Aceito ponta do que for


-Se por mim perguntar, tô bem ali na beira. Chegue logo após eu me jogar.

(Silêncio do constrangimento)

-É pra encomodar a falta de estribeira! Quem sabe alguém vem me resgatar?

quarta-feira, 14 de março de 2012

A vez da Madame


Por que não esquece o que passou?
Nem pretende esquecer?
Só por ser agradável a você
Não vá pensando que vou lhe querer
(Outra vez)

Porque só me tomou como cachaça
Com a embriaguez veio a pirraça
E logo após me expor em meio à praça
Veio sofrendo de ressaca
(Mais de uma vez)

Mesmo assim
Dei-lhe café e cafuné
E fiz minha a sua dor
Se apesar não soube dar valor
Nosso amor não dá mais pé
Se padece em sua flor
(De vez)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Defecado


Sou eu merecedor desse castigo?
Fiz-te o que estás a fazer comigo?
Comido, triturado, digerido
E agora tu me cagas
Me largas nesta vastidão branca e homogênea do teu vaso
Vai, puxa a descarga!
Ao menos, me juntarei aos meus
Velhos cocôpanheiros de guerra

O que não sabes
É que no final serei adubo
De uma linda orquídea
Com a qual tua nova refeição te presenteará
E eu estarei lá!
Bem no meio da sala de estar
A merda que tentaste esquecer

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Revelação

.
Queria ter a vida dela
Viver numa fotografia amarela
Uma imagem lomográfica
De sobreposição fantástica
Ela atrás do sol
O sol atrás da janela

Seu sorriso emana luz
Seu olhar é colorido
Da leveza se deduz
Que ela não tem nada a ver comigo

Eu sou só um frame
De um filme em preto e branco
Um thriller psicológico
Depressivo e sem graça
Então vem, me queime
Antes que caia do tamanco
Em um amor sórdido
Embebido na desgraça